Não há vivente que engula
A hóstia sem estar contrito
O homem nasce com um grito
E a alma pra dentro pula
Uma centelha articula
A explosão da ciência
Tomados pela inocência
De dois gametas fecundos
- Todos somos moribundos
Meninos cheios de ausência
A alma que perambula
Pelos confins do infinito
No livro está escrito
Que ao homem dissimula
Antes que ela escapula
E saía pela tangência
Que o poder da onisciência
Prevaleça sobre os mundos
- Todos somos moribundos
Meninos cheios de ausência
A sociedade rotula
O pobre que vive aflito
Seu universo restrito
Sufoca, prende e estrangula.
Padece feito uma mula
De carga, que indecência!
Pela subserviência
Ficam resquícios profundos
- Todos somos moribundos
Meninos cheios de ausência
O homem que ejacula
Precocemente, está frito.
Perde todo o gabarito
Com aquela que copula
Como um coelho pulula
Na maior incontinência
Portanto, sem competência:
Goza em poucos segundos
- Todos somos moribundos
Meninos cheios de ausência
O filtro que acumula
A borra, o sal, o detrito;
Tem o seu tempo restrito
Está previsto na bula
Ao tempo que acidula
Perde sua eficiência
Tendo como conseqüência
Aglomerados rotundos
- Todos somos moribundos
Meninos cheios de ausência
A luz do sol que oscula
A gota d’água, e o bonito
Arco-íris que no céu fito
Por entre nuvens ondula
E a flora se encabula
Numa formal deferência
Os ventos em congruência
De vários pontos oriundos
- Todos somos moribundos
Meninos cheios de ausência
Os pais a criança adula
Dando um brinquedo maldito:
Uma arma. Ao mal e ao delito
Desse jeito o estimula
E no futuro postula
Uma vaga na gerência
Do crime, da violência,
Dos pensamentos imundos.
- Todos somos moribundos
Meninos cheios de ausência
O capital que especula
Quando surge um conflito
Some feito um pirulito
E o mercado desregula
Dessa forma manipula
O crédito por excelência
Gerando insuficiência
Aumenta os cheques sem fundos
- Todos somos moribundos
Meninos cheios de ausência
Profissional que postula
Em observância ao rito
Notadamente erudito
Através de uma jacula
A um poeta formula
Solicitando premência:
Qual seria a conseqüência
Dos ferimentos profundos?
- Todos somos moribundos
Meninos cheios de ausência
O sangue que coagula
Tem a função de um pito
Que tem um nome esquisito
“Hemostasia” que anula
Pra que o sangue não escapula
Vem depois a aderência
Pra que evite a falência
Dos órgãos em poucos segundos
- Todos somos moribundos
Meninos cheios de ausência
Agliberto Bezerra – Juazeiro (BA) – 03 e 04 / 01 / 2009.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
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